Augusto Cury
- Visão política
A ideia central de Cury é a “pacificação” da sociedade brasileira. Ele critica a polarização e procura apresentar a política como um instrumento para resolver problemas concretos, e não para aprofundar conflitos ideológicos.
Há, porém, propostas de mudança institucional bastante significativas:
Semipresidencialismo, com divisão das atribuições do Executivo entre o presidente e um primeiro-ministro.
Mandatos de oito anos para ministros do STF, em vez do modelo atual.
Mudanças na forma de composição do Supremo, inclusive defendendo a indicação de mulheres sem filiação partidária.
Redução da quantidade de ministérios para algo entre 8 e 10.
Maior utilização de inteligência artificial e tecnologia na administração pública.
Fortalecimento de mecanismos de avaliação e cobrança de resultados do Estado.
Portanto, embora seu discurso seja moderado, não se trata simplesmente de um candidato “de centro” no sentido convencional. Ele propõe reformas institucionais importantes.
- Pensamento econômico
Aqui aparece talvez a característica mais interessante de Cury.
Ele próprio resume sua posição como “mente capitalista e coração social”. Ou seja, defende a iniciativa privada, o empreendedorismo e a geração de riqueza, mas entende que o Estado deve atuar para reduzir pobreza e desigualdade.
Seu programa econômico enfatiza:
Empreendedorismo e pequenas empresas
criação de uma Secretaria do Empreendedorismo e da Economia Distribuída;
criação de milhares de clubes de empreendedorismo;
estímulo à formação de novos empresários;
objetivo de ampliar fortemente o número de microempresas;
educação para empreendedorismo, tecnologia, IA e robótica.
Responsabilidade fiscal
busca de déficit público próximo de zero;
redução gradual da dívida pública;
metas de eficiência para cada ministério;
eliminação de gastos considerados improdutivos;
utilização dos recursos economizados em saúde, educação, segurança, infraestrutura e inovação.
Esse aspecto o aproxima mais de uma visão liberal na administração econômica, embora não seja um liberalismo de Estado mínimo.
- Qual seria o papel do Estado?
Cury parece defender um Estado menor, mais eficiente e mais tecnológico, mas não necessariamente um Estado pequeno.
Ele não propõe simplesmente “privatizar tudo”. Ao contrário, pretende utilizar o Estado para:
educação;
saúde;
redução da pobreza;
infraestrutura;
inovação;
segurança;
estímulo ao empreendedorismo.
Na questão da pobreza, por exemplo, seu programa fala em geração de renda, empreendedorismo e inclusão produtiva, além de políticas de moradia, segurança alimentar, agricultura familiar e desenvolvimento regional.
Essa é uma diferença importante em relação ao liberalismo econômico mais ortodoxo.
- Saúde e tecnologia
Uma de suas propostas mais características é a utilização intensiva de tecnologia na saúde.
Cury defende a expansão da telemedicina, com a intenção de fazer com que uma parcela muito grande das consultas do SUS possa ser realizada remotamente. Também pretende utilizar inteligência artificial na administração pública e na saúde.
Há aí uma espécie de princípio recorrente em seu programa: usar tecnologia para aumentar produtividade e reduzir custos do Estado.
- Educação
Educação ocupa um lugar muito importante em seu pensamento.
Além do ensino tradicional, Cury pretende introduzir maior preparação para:
empreendedorismo;
inteligência artificial;
robótica;
inovação;
saúde mental;
desenvolvimento socioemocional.
Ele também dá bastante atenção às pessoas neurodivergentes, incluindo autistas, pessoas com TDAH e dislexia.
Isso é coerente com sua trajetória profissional e intelectual.
- Segurança
Também há uma forte aposta em tecnologia aplicada à segurança pública, incluindo inteligência artificial e drones.
Um exemplo bastante peculiar é sua proposta de utilização de tecnologia para combater o feminicídio, inclusive com mecanismos de alerta e georreferenciamento.
- Onde eu colocaria Cury no espectro político?
Se tivéssemos de fazer uma classificação simplificada, eu diria:
Economia: centro-direita / liberal social
Questões sociais: centro, com forte preocupação social
Estado: Estado mais enxuto e eficiente, mas com atuação social relevante
Costumes: moderado/conservador em alguns temas, mas sem o discurso cultural típico da direita radical
Instituições: reformista
Política: explicitamente antipolarização e de “terceira via”
Uma boa definição seria “liberal social de centro, com forte componente tecnocrático e humanista”.
Isso explica por que Cury consegue atrair simultaneamente pessoas que se identificam com o empreendedorismo e eleitores que procuram uma alternativa à direita e à esquerda tradicionais. A Reuters também descreve sua candidatura como uma tentativa de ocupar esse espaço centrista e não polarizado.
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