Augusto Cury

  1. Visão política
    A ideia central de Cury é a “pacificação” da sociedade brasileira. Ele critica a polarização e procura apresentar a política como um instrumento para resolver problemas concretos, e não para aprofundar conflitos ideológicos.
    Há, porém, propostas de mudança institucional bastante significativas:
    Semipresidencialismo, com divisão das atribuições do Executivo entre o presidente e um primeiro-ministro.
    Mandatos de oito anos para ministros do STF, em vez do modelo atual.
    Mudanças na forma de composição do Supremo, inclusive defendendo a indicação de mulheres sem filiação partidária.
    Redução da quantidade de ministérios para algo entre 8 e 10.
    Maior utilização de inteligência artificial e tecnologia na administração pública.
    Fortalecimento de mecanismos de avaliação e cobrança de resultados do Estado.
    Portanto, embora seu discurso seja moderado, não se trata simplesmente de um candidato “de centro” no sentido convencional. Ele propõe reformas institucionais importantes.
  2. Pensamento econômico
    Aqui aparece talvez a característica mais interessante de Cury.
    Ele próprio resume sua posição como “mente capitalista e coração social”. Ou seja, defende a iniciativa privada, o empreendedorismo e a geração de riqueza, mas entende que o Estado deve atuar para reduzir pobreza e desigualdade.
    Seu programa econômico enfatiza:
    Empreendedorismo e pequenas empresas
    criação de uma Secretaria do Empreendedorismo e da Economia Distribuída;
    criação de milhares de clubes de empreendedorismo;
    estímulo à formação de novos empresários;
    objetivo de ampliar fortemente o número de microempresas;
    educação para empreendedorismo, tecnologia, IA e robótica.
    Responsabilidade fiscal
    busca de déficit público próximo de zero;
    redução gradual da dívida pública;
    metas de eficiência para cada ministério;
    eliminação de gastos considerados improdutivos;
    utilização dos recursos economizados em saúde, educação, segurança, infraestrutura e inovação.
    Esse aspecto o aproxima mais de uma visão liberal na administração econômica, embora não seja um liberalismo de Estado mínimo.
  3. Qual seria o papel do Estado?
    Cury parece defender um Estado menor, mais eficiente e mais tecnológico, mas não necessariamente um Estado pequeno.
    Ele não propõe simplesmente “privatizar tudo”. Ao contrário, pretende utilizar o Estado para:
    educação;
    saúde;
    redução da pobreza;
    infraestrutura;
    inovação;
    segurança;
    estímulo ao empreendedorismo.
    Na questão da pobreza, por exemplo, seu programa fala em geração de renda, empreendedorismo e inclusão produtiva, além de políticas de moradia, segurança alimentar, agricultura familiar e desenvolvimento regional.
    Essa é uma diferença importante em relação ao liberalismo econômico mais ortodoxo.
  4. Saúde e tecnologia
    Uma de suas propostas mais características é a utilização intensiva de tecnologia na saúde.
    Cury defende a expansão da telemedicina, com a intenção de fazer com que uma parcela muito grande das consultas do SUS possa ser realizada remotamente. Também pretende utilizar inteligência artificial na administração pública e na saúde.
    Há aí uma espécie de princípio recorrente em seu programa: usar tecnologia para aumentar produtividade e reduzir custos do Estado.
  5. Educação
    Educação ocupa um lugar muito importante em seu pensamento.
    Além do ensino tradicional, Cury pretende introduzir maior preparação para:
    empreendedorismo;
    inteligência artificial;
    robótica;
    inovação;
    saúde mental;
    desenvolvimento socioemocional.
    Ele também dá bastante atenção às pessoas neurodivergentes, incluindo autistas, pessoas com TDAH e dislexia.
    Isso é coerente com sua trajetória profissional e intelectual.
  6. Segurança
    Também há uma forte aposta em tecnologia aplicada à segurança pública, incluindo inteligência artificial e drones.
    Um exemplo bastante peculiar é sua proposta de utilização de tecnologia para combater o feminicídio, inclusive com mecanismos de alerta e georreferenciamento.
  7. Onde eu colocaria Cury no espectro político?
    Se tivéssemos de fazer uma classificação simplificada, eu diria:
    Economia: centro-direita / liberal social
    Questões sociais: centro, com forte preocupação social
    Estado: Estado mais enxuto e eficiente, mas com atuação social relevante
    Costumes: moderado/conservador em alguns temas, mas sem o discurso cultural típico da direita radical
    Instituições: reformista
    Política: explicitamente antipolarização e de “terceira via”
    Uma boa definição seria “liberal social de centro, com forte componente tecnocrático e humanista”.
    Isso explica por que Cury consegue atrair simultaneamente pessoas que se identificam com o empreendedorismo e eleitores que procuram uma alternativa à direita e à esquerda tradicionais. A Reuters também descreve sua candidatura como uma tentativa de ocupar esse espaço centrista e não polarizado.
Esta entrada foi publicada em Textos diversos e marcada com a tag . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.